quinta-feira, 6 de abril de 2017

OMS publica orientação ética para proteger direitos dos pacientes com tuberculose

Por Opas/OMS

Criança recebe remédio contra a tuberculose no Sudão do Sul, no âmbito de um programa apoiado pelo PNUD e pelo Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária. Foto: PNUD Sudão do Sul / Brian Sokol
Foto: PNUD Sudão do Sul / Brian Sokol
A nova orientação ética sobre tuberculose, lançada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), tem o objetivo de garantir que os países que implementam a estratégia pelo fim da tuberculose (End TB) adotem padrões éticos sólidos para proteger os direitos de todos os afetados pela doença.

A tuberculose, principal doença infecciosa do mundo, causa 5 mil mortes por dia. A maior carga recai sobre comunidades que já enfrentam desafios socioeconômicos: migrantes, refugiados, pessoas privadas de liberdade, pessoas que vivem em situação de rua, minorias étnicas, mineiros e outras que trabalham e vivem em ambientes sujeitos a riscos, além das mulheres marginalizadas, crianças e idosos.

"A tuberculose atinge algumas das pessoas mais pobres do mundo", disse Margaret Chan, diretora-geral da Organização. "A OMS está determinada a superar o estigma, a discriminação e outras barreiras que impedem que muitas dessas pessoas obtenham os serviços de que tanto precisam".

Pobreza, desnutrição, moradia e saneamento – agravados por outros fatores de risco, como HIV, tabagismo, consumo de álcool e diabetes – podem colocar as pessoas em risco elevado de contrair tuberculose e dificultar o acesso aos cuidados. Mais de um terço das pessoas (4,3 milhões) com tuberculose não são diagnosticadas, ou notificadas; algumas não recebem cuidados e outras recebem cuidados de qualidade questionável.

A nova orientação ética da OMS aborda questões controversas, como o isolamento de pacientes contagiosos, os direitos dos pacientes com tuberculose que vivem em privação de liberdade e as políticas discriminatórias contra os migrantes afetados pela doença, entre outras. Também enfatiza cinco obrigações éticas fundamentais para os governos, trabalhadores de saúde, prestadores de cuidados, organizações não-governamentais, pesquisadores e outras partes interessadas para:
  • Fornecer aos pacientes o apoio social que necessitam para cumprir suas responsabilidades;
  • Abster-se de isolar os pacientes com tuberculose antes de esgotar todas as opções para permitir a adesão ao tratamento e apenas sob condições muito específicas;
  • Permitir que "populações-chave" acessem o mesmo tipo de cuidados oferecidos a outros cidadãos;
  • Garantir que todos os profissionais de saúde operem em um ambiente seguro;
  • Compartilhar rapidamente evidências das pesquisas realizadas para atualizar as políticas nacionais e globais sobre tuberculose.

Das orientações à ação
Proteger os direitos humanos, a ética e a equidade são os princípios que sustentam a Estratégia da OMS para a Eliminação da Tuberculose. No entanto, não é fácil aplicar esses princípios em campo. Pacientes, comunidades, profissionais de saúde, formuladores de políticas e outras partes interessadas frequentemente enfrentam conflitos e dilemas éticos. A atual crise da tuberculose multidroga resistente e a ameaça à segurança da saúde que ela representa acentuam ainda mais a situação.

"Somente quando intervenções eficazes baseadas em evidências forem informadas por um sólido quadro ético e pelo respeito aos direitos humanos, teremos êxito em alcançar nossos ambiciosos objetivos de acabar com a epidemia de tuberculose e alcançar cobertura de saúde universal. A aspiração dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) de não deixar ninguém para trás está centrada nisso ", disse Mario Raviglione, Diretor do Programa Mundial de Tuberculose da OMS.

"A orientação tem como objetivo identificar as dificuldades éticas enfrentadas na prestação de cuidados à tuberculose, e destaca as ações-chave que podem ser tomadas para enfrentá-las", acrescentou.

O Dia Mundial da Tuberculose é uma oportunidade para mobilizar compromisso político e social com vistas a um maior progresso nos esforços para acabar com a doença. Neste ano, a data marca um novo impulso nos mais altos níveis com o anúncio da primeira Conferência Ministerial Global sobre a Eliminação da Tuberculose, que será realizada em novembro na cidade de Moscou.

"A Conferência Ministerial vai destacar a necessidade de uma resposta multissetorial acelerada à tuberculose no contexto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável", disse Ren Minghui, Subdiretor-Geral para HIV/aids, Tuberculose, Malária e Doenças Tropicais Negligenciadas. "O evento enfatizará que a ação global contra a resistência antimicrobiana deve incluir cuidados otimizados, vigilância e pesquisa para tratar urgentemente a tuberculose multidroga resistente".

Fonte: Opas.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Países precisam adotar medidas urgentes para reduzir mortes por tuberculose, diz UNAIDS



Por UNU Brasil

A tuberculose é a causa mais comum de hospitalização e morte entre pessoas HIV positivas. Em 2015, 1,1 milhão de pessoas morreram de alguma doença relacionada à AIDS — cerca de 400 mil delas morreram de tuberculose, incluindo 40 mil crianças.

A tuberculose é a causa mais comum de hospitalização e morte entre pessoas HIV positivas. Foto: EBC
Foto: EBC
A tuberculose é a causa mais comum de hospitalização e morte entre pessoas HIV positivas. Em 2015, 1,1 milhão de pessoas morreram de alguma doença relacionada à AIDS — cerca de 400 mil delas morreram de tuberculose, incluindo 40 mil crianças.

“É inaceitável que tantas pessoas vivendo com HIV morram de tuberculose e que a maioria não seja nem diagnosticada ou tratada”, disse Michel Sidibé, diretor executivo do UNAIDS. “O mundo só conseguirá alcançar suas metas cruciais para HIV e tuberculose se intensificar a colaboração entre os programas de HIV e tuberculose e acelerar a ação conjunta”, completou.

Oito países — República Democrática do Congo, Índia, Indonésia, Moçambique, Nigéria, África do Sul, Tanzânia e Zâmbia — representam cerca de 70% de todas as mortes por tuberculose entre pessoas vivendo com HIV.

A ampliação da ação nesses oito países colocaria o mundo no caminho certo para atingir a meta ambiciosa da Declaração Política de 2016 da ONU sobre o Fim da AIDS, de reduzir em 75% as mortes relacionadas à TB entre as pessoas que vivem com HIV até 2020.

As fraquezas nos sistemas de saúde continuam a resultar em oportunidades perdidas de diagnosticar a tuberculose entre as pessoas que vivem com HIV — cerca de 57% dos casos de TB associados ao HIV não foram tratados em 2015.

Os vínculos inadequados com os cuidados após o diagnóstico, a falha no rastreamento das pessoas e no acompanhamento, a incapacidade de atingir as populações mais vulneráveis —particularmente as populações marginalizadas, incluindo as pessoas que injetam drogas, as populações privadas de liberdade e os trabalhadores migrantes — e os resultados precários do tratamento contribuem para a falta de progresso.

Em 2014, cerca de 11% dos pacientes vivendo com HIV faleceram, em comparação com os 3% de pacientes com estado sorológico negativo para o HIV. A detecção precoce e o tratamento eficaz são essenciais para prevenir mortes associadas à TB, especialmente entre pessoas HIV positivas.

A resistência às drogas também é uma preocupação importante — em 2015, havia 480 mil novos casos de tuberculose multirresistente. A recente aprovação de dois novos medicamentos para tratar a tuberculose, a primeira em mais de 60 anos, está melhorando as perspectivas para as pessoas com TB resistente aos medicamentos.

O UNAIDS pede pela eliminação de mortes por tuberculose entre as pessoas vivendo com HIV e pelo fortalecimento de sistemas de saúde e integração de serviços para permitir uma ampliação mais rápida das áreas programáticas de HIV e TB.

Os países devem expandir os programas de prevenção e tratamento do HIV que incluam o rastreamento regular da TB, a terapia preventiva e o tratamento precoce, uma vez que são programas simples, acessíveis e eficazes, capazes de prevenir mortes por tuberculose.

Como parte desses esforços, o UNAIDS encoraja os países a intensificar suas ações em 35 países prioritários para acelerar os resultados implementando programas focados e de alto impacto para avançar o progresso rumo ao fim da epidemia de AIDS.

Fonte: ONU Brasil.