quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Enfrentamento da tuberculose precisa ser acelerado, afirma relatório


Tuberculose é doença infecciosa mais mortal do mundo, o documento de MSF e da Stop Tb Partnership analisa políticas para a doença em 29 países, incluindo o Brasil. 
 Por MSF (adaptado)





Enfrentamento da tuberculose precisa ser acelerado, afirma relatório
Foto: Giorgos Moutafis - MSF.
A organização médico-humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) e a Stop TB Partnership divulgaram a terceira edição de “Out of Step” (Descompasso, em tradução livre), um relatório que ressalta a necessidade de os governos aumentarem seus esforços de combate à tuberculose.

O relatório examina as políticas e práticas para a tuberculose em 29 países – que correspondem a 82% da carga global da doença, segundo classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) – e mostra o que os países podem fazer mais para prevenir, diagnosticar e tratar pessoas afetadas pela tuberculose.

Apesar de a tuberculose ser evitável e tratável, ela continua sendo a doença infeciosa mais mortal do mundo. Apenas em 2015, 1,8 milhão de pessoas morreram de tuberculose. Em 2015, 54% das 10,4 milhões de pessoas com tuberculose viviam em países representados no G20. Apesar disso, a maioria dos países está atrasada na implementação das novas ferramentas disponíveis para enfrentar a tuberculose.

“A tuberculose mata há muito tempo, mas temos o conhecimento e as ferramentas para enfrentar essa doença; muitos países não estão fazendo uso desses avanços, e as pessoas estão morrendo por isso”, disse Lucica Ditiu, diretora executiva da Stop TB Partnership.

A lacuna no diagnóstico continua enorme. Dos 29 países analisados, apenas 7 tornaram amplamente disponível o Xpert MTB/RIF – um teste molecular rápido para diagnosticar a tuberculose e testar a resistência aos medicamentos de primeira linha contra a doença. Isso significa que a maioria das pessoas nos 29 países ainda é examinada com um método que não detecta muitos casos, ou que exige uma esperar de vários meses para confirmar a doença. Essa lacuna explica por que tanta gente continua sem diagnóstico e tratamento; em 2015, com base na diferença entre a incidência estimada de tuberculose e os casos notificados, estimou-se que 4,3 milhões de pessoas com a doença nunca foram diagnosticadas.

“Como se espera que as pessoas sejam tratadas se elas nem sequer conseguem ser diagnosticadas?”, perguntou o dr. Issac Chikwanha, assessor médico para HIV e tuberculose da Campanha de Acesso a Medicamentos de MSF. “Se os países não fizerem mais para garantir que as pessoas tenham acesso a exames, será impossível reduzir as mortes evitáveis por tuberculose.”

Houve progresso na direção de fazer com que as pessoas com tuberculose tenham acesso a novos tratamentos que são mais eficazes e mais fáceis de suportar.

A hospitalização por períodos extensos pode limitar a capacidade da pessoa de ter uma vida normal e deve ser reservada somente para os pacientes com tuberculose resistente em estado mais grave. O relatório mostrou que 34% dos países pesquisados ainda exigem longas internações para o tratamento da tuberculose resistente. Novos medicamentos para o tratamento da tuberculose resistente tiveram resultados melhores do que os atuais regimes de tratamento, que oferecem índices de cura de apenas 28% no caso da tuberculose ultrarresistente e de 52% no caso da tuberculose multirresistente. Dos países analisados, 79% incluíram a nova droga bedaquilina nos seus protocolos nacionais, e 62% incluíram a delamanida; globalmente, entretanto, apenas 5% das pessoas que poderiam ter se beneficiado desses medicamentos tiveram acesso a eles em 2016.

O tratamento da tuberculose resistente, que em alguns casos exige que o paciente tome 15 mil comprimidos num período de dois anos, pode ser reduzido agora para nove meses. Tratamentos mais curtos ajudam as pessoas a retomarem sua vida normal mais rápido. Porém, apenas 13, ou 45%, dos 29 países analisados tornaram disponíveis os tratamentos mais curtos.

“O relógio está correndo rápido, porque a cada 18 segundos uma pessoa morre de tuberculose. Temos que mudar isso”, disse Sharonann Lynch, assessora de políticas para HIV e tuberculose da Campanha de Acesso. “O número de pessoas diagnosticadas nos últimos quatro anos estagnou, enquanto o número de mortes aumentou em vez de diminuir. Os países precisam usar ferramentas novas para aumentar o ritmo de sua resposta.”

DESTAQUES DO RELATÓRIO “OUT OF STEP” (DESCOMPASSO)

A doença infecciosa mais mortal do mundo deve finalmente ter a atenção que necessita

•    Ainda que a tuberculose seja evitável e tratável, é a doença infecciosa mais mortal do mundo. Em 2015, 1,8 milhão de pessoas morreram da doença.
•    Muitos países estão atrasados no combate à doença, no que diz respeito à introdução de ferramentas modernas de tratamento e à implementação das políticas internacionalmente recomendadas.
•    Pela primeira vez, a saúde global está incluída na agenda da cúpula do G20, que acontecerá nos dias 7 e 8 de julho em Hamburgo. A Declaração dos Ministros da Saúde feita durante a preparação da cúpula reconheceu que a tuberculose deve estar no centro dos esforços contra as infecções resistentes a medicamentos.

O que é o relatório Out of Step

•    É um levantamento sobre políticas de prevenção, diagnóstico e tratamento da tuberculose em 29 países , que representam 82% da carga global de tuberculose, como definida pela OMS (uma combinação do número absoluto de casos e do número de casos proporcional à população).
•    Os relatórios Out of Step foram criados para identificar lacunas e monitorar o progresso na adoção de padrões internacionais para as políticas e práticas nacionais de tuberculose.
•    A primeira edição, publicada em 2014, monitorou oito países; a segunda, publicada em 2015, cobriu 24 países.
•    A edição de 2017 do Out of Step cobre cinco áreas essenciais: diagnóstico, modelos de cuidados, tratamento para tuberculose e tuberculose resistente a medicamentos, regulação medicamentosa e prevenção.

PRINCIPAIS CONCLUSÕES

40% das pessoas que vivem com tuberculose não são diagnosticadas ou tratadas

•    A lacuna nos diagnósticos é maciça: em 2015, mais de 4 milhões de pessoas viviam com tuberculose não diagnosticada.
•    15 (52%)  dos países analisados no relatório introduziram o Xpert MTB/RIF, um exame molecular rápido que pode detectar a forma resistente da doença, como teste inicial para diagnóstico da tuberculose; porém, apenas 7 desses países  aplicam esse exame de forma ampla.

Países estão demorando a introduzir novos tratamentos para tuberculose

•    Apenas quatro países  analisados introduziram, de forma ampla, medicamentos pediátricos em doses fixas combinadas, que são mais fáceis de serem usados e ministrados a crianças.
•    Em certas condições e para as pessoas elegíveis, a duração dos tratamentos de tuberculose multirresistente pode ser reduzida para nove meses. Apenas 13 países (45%) do relatório recomendam esses tratamentos em seus protocolos; nenhum deles disponibilizou o tratamento amplamente.
•    79% (23) dos países analisados no relatório incluíram o medicamento mais novo, a bedaquilina, em seus protocolos nacionais, e 62% (18)  dos países incluíram a delamanida.
•    Globalmente, apenas 5% das pessoas que vivem com tuberculose resistente têm acesso a regimes de tratamento que incluem os novos medicamentos.

Aproximar as pessoas do tratamento: um longo caminho a percorrer

•    Mais de 80% dos países (24) analisados no relatório recomendam que pacientes com tuberculose sensível a medicamentos comecem o tratamento próximo a suas casas, na rede de cuidados primários de saúde; 20 desses países implementaram essa política amplamente.
•    19 dos países incluíram em suas políticas nacionais o início do tratamento da tuberculose resistente em nível distrital, mas apenas 11  desses países implementaram essa recomendação de forma ampla.

Sobre os responsáveis pelo relatório

•    MSF vem tratando pessoas com tuberculose há cerca de 30 anos, e mantém projetos de tratamento em 24 países. Em 2016, MSF apoiou mais de 20 mil pacientes com tuberculose, incluindo 2.700 pacientes com formas resistentes a medicamentos. MSF é uma das organizações não governamentais que mais oferece tratamentos contra a tuberculose resistente.


•    A Stop TB Partnership foi fundada em 2001 e conta com uma rede de mais de 1.600 parceiros. Seus programas incluem o Global Drug Facility (Estrutura Global de Medicamentos), que oferece medicamentos e diagnósticos de tuberculose certificados, acessíveis e de qualidade para diversos países do mundo, e o TB Reach, que já ajudou a diagnosticar mais de 2 milhões de pessoas com tuberculose. A Stop TB Partnership opera por meio de um secretariado hospedado pelo Unops (Escritório das Nações Unidas para Serviços e Projetos) em Genebra, na Suíça, e é governada por um conselho de coordenação que define orientações estratégicas para a luta global contra a tuberculose.


quinta-feira, 29 de junho de 2017

Nova vacina contra tuberculose apresenta resultados promissores




Por Planeta Universitário

Uma nova vacina contra a tuberculose – mais potente do que a atualmente usada na imunização de crianças – está sendo desenvolvida no Instituto Butantan com apoio da FAPESP. Resultados promissores de ensaios pré-clínicos, feitos com camundongos, foram publicados na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

“A vacina BCG tradicional é eficaz para proteger crianças das formas mais graves da doença, mas oferece proteção limitada contra infecções pulmonares em adultos. Portanto, desenvolver um novo imunizante mais potente tem sido um desafio da comunidade científica internacional. Diversas estratégias estão sendo testadas”, comentou Luciana Leite, diretora do Laboratório Especial de Vacina do Butantan e coordenadora do projeto.

A estratégia adotada pelo grupo paulista foi desenvolver uma versão recombinante da BCG, ou seja, modificar a bactéria usada na formulação da vacina convencional – a Mycobacterium bovis – para fazê-la produzir uma proteína típica de outra bactéria, a Escherichia coli.

“Essa proteína recombinante, que chamamos de LTAK63, tem um efeito adjuvante na formulação, isto é, faz com que a resposta do sistema imune à vacina seja muito mais forte”, contou Leite.

Nos experimentos com camundongos, os pesquisadores compararam a proteção oferecida pela BCG convencional e pela BCG recombinante. O grupo controle foi composto por animais não imunizados.

Doze semanas após a vacinação, os três grupos foram infectados com a bactéria causadora da tuberculose, a Mycobacterium tuberculosis. Depois de 30 dias, a quantidade de bactérias presente no pulmão foi avaliada.

Nos animais não imunizados, a análise histológica revelou uma grande infiltração de células inflamatórias no pulmão e a quantidade de bactérias no tecido chegou a 1 milhão. No grupo que recebeu a BCG convencional, o número de microrganismos encontrado foi em torno de 100 mil e o grau de inflamação bem mais moderado, porém maior do que o observado no grupo que recebeu a versão recombinante da vacina. Nesse terceiro grupo, foram encontradas no pulmão apenas cerca de 1 mil bactérias.

“Fizemos, em seguida, um segundo experimento no qual desafiamos os animais com uma quantidade até 100 vezes maior de Mycobacterium tuberculosis e observamos que apenas a versão recombinante da BCG ofereceu proteção nesse caso. No grupo que recebeu a vacina convencional os animais começaram a morrer depois de alguns dias”, contou Leite.

Encurtando etapas

O desenvolvimento dessa nova vacina contra a tuberculose foi, de acordo com Leite, desdobramento de um projeto de pesquisa anterior, que tinha como objetivo criar uma versão recombinante da vacina DTP – contra difteria, tétano e coqueluche.

Esse trabalho começou no ano 2000, quando, com apoio da FAPESP, Leite montou um laboratório para desenvolver a metodologia necessária para a produção de BCG recombinante.

“Por ser capaz de induzir no organismo uma resposta imune forte e inespecífica, a bactéria usada na vacina BCG também tem sido empregada como adjuvante no tratamento do câncer e na imunização contra várias doenças. Nossa ideia, na época, foi criar uma versão recombinante desse microrganismo capaz de produzir, por exemplo, uma proteína da bactéria causadora da coqueluche. Assim, seria possível imunizar ao mesmo tempo contra as duas doenças”, explicou a pesquisadora.

Esse projeto inicial está em fase avançada de desenvolvimento e, segundo Leite, os primeiros ensaios clínicos da vacina recombinante contra a coqueluche devem ter início em breve, com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Durante a realização dos experimentos pré-clínicos, o grupo percebeu que a proteína recombinante que imunizava contra a coqueluche também tinha um efeito adjuvante sobre a própria BCG, ou seja, modificava também a resposta imune do organismo à tuberculose.

“Observamos que a resposta estava diferente, mas não o suficiente para aumentar a proteção contra a tuberculose, causada por uma bactéria muito virulenta. Começamos então a procurar uma proteína diferente que fosse capaz de aumentar ainda mais essa resposta imune contra a tuberculose. Foi como chegamos à LTAK63”, contou.

A boa notícia, segundo a pesquisadora, é que grande parte do conhecimento adquirido durante o projeto da coqueluche poderá ser aproveitado no desenvolvimento da nova vacina contra a tuberculose, encurtando etapas cruciais.

“Levamos muitos anos para conseguir adaptar a formulação testada em camundongos para uso em humanos, no caso da vacina contra a coqueluche. Mas agora estamos com a metodologia pronta e o processo deverá ser mais rápido”, afirmou.

O trabalho iniciou durante o pós-doutorado de Ivan Pereira Nascimento com apoio da FAPESP e continua no doutorado de Carina Carvalho dos Santos, que atualmente realiza um estágio de pesquisa no Leiden University Medical Center, na Holanda, também apoiado pela FAPESP. A pesquisa já teve patente aprovada nos Estados Unidos e na África do Sul. 

A estimativa é que a nova vacina contra a tuberculose possa estar disponível em até 10 anos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a doença atinge mais de 10 milhões de pessoas no mundo e o Brasil está entre os 30 países com maior incidência da doença.

O artigo Recombinant BCG Expressing LTAK63 Adjuvant induces Superior Protection against Mycobacterium tuberculosis pode ser lido em: www.nature.com/articles/s41598-017-02003-9. 

Agência FAPESP


segunda-feira, 22 de maio de 2017

Tuberculose surgiu há 70 mil anos e evoluiu com o homem

Por Veja Ciência

Segundo estudo, bactéria que causa a doença surgiu na África e acompanhou humanos durante processo de expansão ao redor do planeta

A tuberculose surgiu na África há 70.000 anos – e a doença possui uma trajetória evolutiva próxima a dos seres humanos. É o que concluiu um estudo internacional que analisou 259 amostras da bactéria Mycobacterium tuberculosis, causadora da doença. 

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Out-of-Africa migration and Neolithic coexpansion of Mycobacterium tuberculosis with modern humans

Onde foi divulgada: periódico Nature Genetics

Quem fez: KathIñaki Comas, Mireia Coscolla, Tao Luo, Sonia Borrell, Kathryn E Holt, Midori Kato-Maeda, Julian Parkhill, Stephen Bentley, Simon R Harris, Stefan Niemann, Roland Diel, Abraham Aseffa, Qian Gao, Douglas Young, Sebastien Gagneux e outros

Instituição: Instituto de Saúde Pública e Tropical Suíço e outras

Dados de amostragem: Genoma de 259 cepas da bactéria Mycobacterium tuberculosis, colhidas em diversas partes do mundo

Resultado: Os pesquisadores concluíram que a bactéria que causa a tuberculose se originou na África há 70.000 anos e tem uma trajetória evolutiva parecida com a dos seres humanos.

Liderados por Sebastien Gagneux, do Instituto de Saúde Pública e Tropical Suíço, os pesquisadores sequenciaram o genoma completo de 259 cepas da bactéria, colhidas em diversas partes do mundo. 

Comparando a árvore evolutiva da bactéria com a do homem, os pesquisadores descobriram semelhanças que indicam uma relação próxima entre eles: ambos surgiram na África, emigraram juntos e se expandiram por todo o mundo.

Evolução – O comportamento migratório dos humanos modernos, alinhado a mudanças no estilo de vida, com pessoas vivendo em grupos maiores, favoreceu a evolução e transmissão da doença. “Nós vemos que a diversidade de bactérias causadoras da tuberculose aumentou quando a população humana se expandiu” afirma Gagneux.

Os resultados indicam ainda que a tuberculose não deve ter chegado aos humanos a partir de animais domesticados, como é o caso de outras doenças. “Simplesmente porque a Mycobacterium tuberculosis surgiu muito antes de os humanos começaram a domesticar animais”, explica o pesquisador.

A doença – A tuberculose ainda é considerada uma ameaça à saúde, principalmente nos países menos desenvolvidos. Ela é transmitida pelo ar, de pessoa para pessoa – estima-se que uma pessoa infectada possa contaminar de 10 a 15 pessoas por ano.

De acordo com a OMS, de todas as doenças infecciosas, apenas o vírus HIV, causador da aids, provoca mais mortes do que a tuberculose. Em 2011, 8,7 milhões de pessoas contraíram tuberculose, sendo que 1,4 milhão morreram.

A doença é tratada com uma combinação de antibióticos, que deve ser utilizada durante seis meses. O fato de muitos pacientes abandonarem o tratamento antes de sua conclusão, além do uso excessivo ou equivocado de antibióticos, tem contribuído para que o bacilo desenvolva resistência aos medicamentos. Em 2012, na Índia, médicos relataram casos de tuberculose totalmente resistente, para a qual não há nenhum medicamento eficaz.


Fonte: Veja Ciência.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Tuberculose causa 5 mil mortes por dia no mundo, alerta OMS

Por ONU BR (adaptado)

A tuberculose, principal doença infecciosa do mundo, causa em torno de 5 mil mortes por dia globalmente. A maior incidência de tuberculose recai sobre comunidades que enfrentam desafios socioeconômicos: migrantes, refugiados, pessoas privadas de liberdade, pessoas que vivem em situação de rua, minorias étnicas, mineiros e outras que trabalham e vivem em ambientes sujeitos a riscos, além das mulheres marginalizadas, crianças e idosos.

Pobreza, desnutrição, situações precárias de moradia e saneamento — agravados por outros fatores de risco, como HIV, tabagismo, consumo de álcool e diabetes — podem colocar as pessoas em risco elevado de contrair tuberculose e dificultar o acesso aos cuidados.

Mais de um terço das pessoas (4,3 milhões) com tuberculose no mundo não são diagnosticadas ou notificadas; algumas não recebem cuidados e outras recebem cuidados de qualidade questionável.

A nova orientação ética da OMS aborda questões controversas, como o isolamento de pacientes contagiosos, os direitos dos pacientes com tuberculose que vivem em privação de liberdade e as políticas discriminatórias contra os migrantes afetados pela doença, entre outras.

Também enfatiza cinco obrigações éticas fundamentais para governos, trabalhadores de saúde, prestadores de cuidados, organizações não governamentais, pesquisadores e outras partes interessadas.

Segundo a OMS, esses profissionais têm a obrigação de fornecer aos pacientes o apoio social que necessitam para cumprir suas responsabilidades; abster-se de isolar os pacientes com tuberculose antes de esgotar todas as opções para permitir a adesão ao tratamento e apenas sob condições muito específicas.

Além disso, esses profissionais precisam permitir que “populações-chave” acessem o mesmo tipo de cuidados oferecidos a outros cidadãos; garantir que todos os profissionais de saúde operem em um ambiente seguro; e compartilhar rapidamente evidências das pesquisas realizadas para atualizar as políticas nacionais e globais sobre tuberculose.

Das orientações à ação

Proteger os direitos humanos, a ética e a equidade são os princípios que sustentam a Estratégia da OMS para a Eliminação da Tuberculose. No entanto, não é fácil aplicar esses princípios em campo.

Pacientes, comunidades, profissionais de saúde, formuladores de políticas e outras partes interessadas frequentemente enfrentam conflitos e dilemas éticos. A atual crise da tuberculose multidroga resistente e a ameaça à segurança da saúde que ela representa acentuam ainda mais a situação.

“Somente quando intervenções eficazes baseadas em evidências forem informadas por um sólido quadro ético e pelo respeito aos direitos humanos, teremos êxito em alcançar nossos ambiciosos objetivos de acabar com a epidemia de tuberculose e alcançar cobertura de saúde universal. A aspiração dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de não deixar ninguém para trás está centrada nisso”, disse Mario Raviglione, diretor do Programa Mundial de Tuberculose da OMS.

Fonte: ONU BR.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

OMS publica orientação ética para proteger direitos dos pacientes com tuberculose

Por Opas/OMS

Criança recebe remédio contra a tuberculose no Sudão do Sul, no âmbito de um programa apoiado pelo PNUD e pelo Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária. Foto: PNUD Sudão do Sul / Brian Sokol
Foto: PNUD Sudão do Sul / Brian Sokol
A nova orientação ética sobre tuberculose, lançada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), tem o objetivo de garantir que os países que implementam a estratégia pelo fim da tuberculose (End TB) adotem padrões éticos sólidos para proteger os direitos de todos os afetados pela doença.

A tuberculose, principal doença infecciosa do mundo, causa 5 mil mortes por dia. A maior carga recai sobre comunidades que já enfrentam desafios socioeconômicos: migrantes, refugiados, pessoas privadas de liberdade, pessoas que vivem em situação de rua, minorias étnicas, mineiros e outras que trabalham e vivem em ambientes sujeitos a riscos, além das mulheres marginalizadas, crianças e idosos.

"A tuberculose atinge algumas das pessoas mais pobres do mundo", disse Margaret Chan, diretora-geral da Organização. "A OMS está determinada a superar o estigma, a discriminação e outras barreiras que impedem que muitas dessas pessoas obtenham os serviços de que tanto precisam".

Pobreza, desnutrição, moradia e saneamento – agravados por outros fatores de risco, como HIV, tabagismo, consumo de álcool e diabetes – podem colocar as pessoas em risco elevado de contrair tuberculose e dificultar o acesso aos cuidados. Mais de um terço das pessoas (4,3 milhões) com tuberculose não são diagnosticadas, ou notificadas; algumas não recebem cuidados e outras recebem cuidados de qualidade questionável.

A nova orientação ética da OMS aborda questões controversas, como o isolamento de pacientes contagiosos, os direitos dos pacientes com tuberculose que vivem em privação de liberdade e as políticas discriminatórias contra os migrantes afetados pela doença, entre outras. Também enfatiza cinco obrigações éticas fundamentais para os governos, trabalhadores de saúde, prestadores de cuidados, organizações não-governamentais, pesquisadores e outras partes interessadas para:
  • Fornecer aos pacientes o apoio social que necessitam para cumprir suas responsabilidades;
  • Abster-se de isolar os pacientes com tuberculose antes de esgotar todas as opções para permitir a adesão ao tratamento e apenas sob condições muito específicas;
  • Permitir que "populações-chave" acessem o mesmo tipo de cuidados oferecidos a outros cidadãos;
  • Garantir que todos os profissionais de saúde operem em um ambiente seguro;
  • Compartilhar rapidamente evidências das pesquisas realizadas para atualizar as políticas nacionais e globais sobre tuberculose.

Das orientações à ação
Proteger os direitos humanos, a ética e a equidade são os princípios que sustentam a Estratégia da OMS para a Eliminação da Tuberculose. No entanto, não é fácil aplicar esses princípios em campo. Pacientes, comunidades, profissionais de saúde, formuladores de políticas e outras partes interessadas frequentemente enfrentam conflitos e dilemas éticos. A atual crise da tuberculose multidroga resistente e a ameaça à segurança da saúde que ela representa acentuam ainda mais a situação.

"Somente quando intervenções eficazes baseadas em evidências forem informadas por um sólido quadro ético e pelo respeito aos direitos humanos, teremos êxito em alcançar nossos ambiciosos objetivos de acabar com a epidemia de tuberculose e alcançar cobertura de saúde universal. A aspiração dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) de não deixar ninguém para trás está centrada nisso ", disse Mario Raviglione, Diretor do Programa Mundial de Tuberculose da OMS.

"A orientação tem como objetivo identificar as dificuldades éticas enfrentadas na prestação de cuidados à tuberculose, e destaca as ações-chave que podem ser tomadas para enfrentá-las", acrescentou.

O Dia Mundial da Tuberculose é uma oportunidade para mobilizar compromisso político e social com vistas a um maior progresso nos esforços para acabar com a doença. Neste ano, a data marca um novo impulso nos mais altos níveis com o anúncio da primeira Conferência Ministerial Global sobre a Eliminação da Tuberculose, que será realizada em novembro na cidade de Moscou.

"A Conferência Ministerial vai destacar a necessidade de uma resposta multissetorial acelerada à tuberculose no contexto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável", disse Ren Minghui, Subdiretor-Geral para HIV/aids, Tuberculose, Malária e Doenças Tropicais Negligenciadas. "O evento enfatizará que a ação global contra a resistência antimicrobiana deve incluir cuidados otimizados, vigilância e pesquisa para tratar urgentemente a tuberculose multidroga resistente".

Fonte: Opas.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Países precisam adotar medidas urgentes para reduzir mortes por tuberculose, diz UNAIDS



Por UNU Brasil

A tuberculose é a causa mais comum de hospitalização e morte entre pessoas HIV positivas. Em 2015, 1,1 milhão de pessoas morreram de alguma doença relacionada à AIDS — cerca de 400 mil delas morreram de tuberculose, incluindo 40 mil crianças.

A tuberculose é a causa mais comum de hospitalização e morte entre pessoas HIV positivas. Foto: EBC
Foto: EBC
A tuberculose é a causa mais comum de hospitalização e morte entre pessoas HIV positivas. Em 2015, 1,1 milhão de pessoas morreram de alguma doença relacionada à AIDS — cerca de 400 mil delas morreram de tuberculose, incluindo 40 mil crianças.

“É inaceitável que tantas pessoas vivendo com HIV morram de tuberculose e que a maioria não seja nem diagnosticada ou tratada”, disse Michel Sidibé, diretor executivo do UNAIDS. “O mundo só conseguirá alcançar suas metas cruciais para HIV e tuberculose se intensificar a colaboração entre os programas de HIV e tuberculose e acelerar a ação conjunta”, completou.

Oito países — República Democrática do Congo, Índia, Indonésia, Moçambique, Nigéria, África do Sul, Tanzânia e Zâmbia — representam cerca de 70% de todas as mortes por tuberculose entre pessoas vivendo com HIV.

A ampliação da ação nesses oito países colocaria o mundo no caminho certo para atingir a meta ambiciosa da Declaração Política de 2016 da ONU sobre o Fim da AIDS, de reduzir em 75% as mortes relacionadas à TB entre as pessoas que vivem com HIV até 2020.

As fraquezas nos sistemas de saúde continuam a resultar em oportunidades perdidas de diagnosticar a tuberculose entre as pessoas que vivem com HIV — cerca de 57% dos casos de TB associados ao HIV não foram tratados em 2015.

Os vínculos inadequados com os cuidados após o diagnóstico, a falha no rastreamento das pessoas e no acompanhamento, a incapacidade de atingir as populações mais vulneráveis —particularmente as populações marginalizadas, incluindo as pessoas que injetam drogas, as populações privadas de liberdade e os trabalhadores migrantes — e os resultados precários do tratamento contribuem para a falta de progresso.

Em 2014, cerca de 11% dos pacientes vivendo com HIV faleceram, em comparação com os 3% de pacientes com estado sorológico negativo para o HIV. A detecção precoce e o tratamento eficaz são essenciais para prevenir mortes associadas à TB, especialmente entre pessoas HIV positivas.

A resistência às drogas também é uma preocupação importante — em 2015, havia 480 mil novos casos de tuberculose multirresistente. A recente aprovação de dois novos medicamentos para tratar a tuberculose, a primeira em mais de 60 anos, está melhorando as perspectivas para as pessoas com TB resistente aos medicamentos.

O UNAIDS pede pela eliminação de mortes por tuberculose entre as pessoas vivendo com HIV e pelo fortalecimento de sistemas de saúde e integração de serviços para permitir uma ampliação mais rápida das áreas programáticas de HIV e TB.

Os países devem expandir os programas de prevenção e tratamento do HIV que incluam o rastreamento regular da TB, a terapia preventiva e o tratamento precoce, uma vez que são programas simples, acessíveis e eficazes, capazes de prevenir mortes por tuberculose.

Como parte desses esforços, o UNAIDS encoraja os países a intensificar suas ações em 35 países prioritários para acelerar os resultados implementando programas focados e de alto impacto para avançar o progresso rumo ao fim da epidemia de AIDS.

Fonte: ONU Brasil.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Pobreza está cada vez mais concentrada em grupo de 48 países, alerta UNCTAD

Em Jérémie, no Haiti, crianças brincam na Igreja Cristã Nan Lindy. Local abrigou centenas de pessoas que ficaram sem casa após a passagem do Furacão Matthew pelo país caribenho. Foto: UNICEF / LeMoyne
Em Jérémie, no Haiti, crianças brincam na Igreja Cristã Nan Lindy. 

Local abrigou centenas de pessoas que ficaram sem casa após a 
passagem do Furacão Matthew pelo país caribenho. 
País está na lista das 48 nações menos desenvolvidas do mundo. 
Foto: UNICEF / LeMoyne

Por ONU Brasil

A pobreza global está cada vez mais concentrada em um grupo de 48 países que estão ficando para trás na comparação com o restante do mundo em termos de desenvolvimento econômico, de acordo com relatório publicado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).


Em 45 anos desde que a lista dos 48 países menos desenvolvidos foi criada, apenas quatro saíram do grupo após atingir uma série de indicadores socioeconômicos.

A pobreza global está cada vez mais concentrada em um grupo de 48 países que estão ficando para trás na comparação com o restante do mundo em termos de desenvolvimento econômico, de acordo com relatório publicado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). O relatório afirma que a meta global de reduzir o tamanho do grupo de países menos desenvolvidos não será alcançada a não ser que a comunidade internacional tome ações mais efetivas.

A lista inclui Afeganistão, Angola, Bangladesh, Benin, Butão, Burkina Faso, Burundi, Camboja, República Centro-Africana, Chade, Comores, República Democrática do Congo, Djibuti, Guiné Equatorial, Eritreia, Etiópia, Gâmbia, Guiné, Guiné-Bissau, Kiribati, Haiti, Laos, Lesoto, Libéria, Madagascar, Malawi, Mali, Mauritânia, Moçambique, Myanmar, Nepal, Níger, Ruanda, São Tomé e Príncipe, Senegal, Serra Leoa, Ilhas Salomão, Somália, Sudão do Sul, Sudão, Timor-Leste, Togo, Tuvalu, Uganda, Tanzânia, Vanuatu, Iêmen e Zâmbia.

“É nesses países que a luta global pela erradicação da pobreza será vencida ou perdida”, disse o secretário-geral da UNCTAD, Mukhisa Kituyi. “Um ano atrás, a comunidade global concordou em ‘não deixar ninguém para trás’, mas isso é exatamente o que está acontecendo nos países menos desenvolvidos”.

A proporção de pobres no grupo de 48 países menos desenvolvidos mais do que dobrou desde 1990, para bem acima de 40%. A participação daqueles sem acesso a água também dobrou para 43,5% no mesmo período. Esses países agora respondem pela maioria (53,4%) das 1,1 bilhão de pessoas no mundo que não têm acesso a eletricidade, um aumento de dois terços.

Em seis países desse grupo a taxa de pobreza extrema está entre 70% e 80%, e em dez deles esse percentual está entre 50% e 70%. Há apenas quatro outros países no mundo onde a taxa está acima de 30% e em nenhum lugar está acima de 50%.

Isso faz com que o grupo dos países menos desenvolvidos fique numa “armadilha da pobreza”, um ciclo vicioso no qual a pobreza leva à baixa nutrição e saúde, à falta de educação, minando a produtividade e o investimento. Isso bloqueia o desenvolvimento sustentável necessário para reduzir a pobreza.

Os países só poderão quebrar esse ciclo vicioso com apoio internacional em finanças, comércio e tecnologia. A categoria de países menos desenvolvidos foi criada justamente para atrair tal apoio para aqueles que mais precisam.

Os países podem sair da lista ao atingir uma série de indicadores econômicos e sociais. Mas apenas quatro foram retirados em 45 anos desde que a classificação foi criada. Em 2011, a comunidade internacional estabeleceu a meta de reduzir o número de países no grupo até 2020. Mas na metade do caminho, esse objetivo parece estar longe de ser atingido, disse a UNCTAD.

Apenas um país (Samoa) saiu do grupo desde 2011; e outros três (Guiné Equatorial, Vanuatu e Angola) devem fazê-lo nos próximos anos. O relatório projeta que apenas outros 13 países irão se qualificar para sair do grupo até 2021, bem menos que os 21 necessários para atingir a meta em 2020.

As dificuldades em conseguir se retirar do grupo ou atingir o desenvolvimento de longo prazo apontam para a inadequação das medidas de apoio internacional ao desenvolvimento desses países, segundo a UNCTAD.

O relatório pede, então, melhoras em tais medidas, como atingimento das metas de doações para a assistência aos países menos desenvolvidos, mais isenções tributárias para as exportações dessas nações e esforços renovados para acabar com o impasse sobre tratamento especial desses países na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Outras medidas citadas pelo documento são o melhor monitoramento das transferências tecnológicas para as nações mais pobres e a implantação de um processo mais gradual de retirada desses países da lista, para limitar o impacto da perda de apoio internacional uma vez que saem do grupo.

Fonte: ONU Brasil.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Relatório de MSF analisa acesso ao tratamento da TB multirresistente

Foto: Helmut Wachter/MSF.

Por MSF (com adaptações)
Depois de mais de 50 anos sem inovação, dois novos medicamentos para tratar a TB foram aprovados condicionalmente para o uso – bedaquilina e delamanida. Mas, apenas 2% das 150 mil pessoas em necessidade tiveram acesso a eles, de acordo com a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF).

MSF e outros provedores de tratamento estão demonstrando que regimes mais robustos de tratamento para TB contendo um dos novos medicamentos para a doença, a bedaquilina (comercializada pela Johnson & Johnson) ou a delamanida (comercializada pela Otsuka), combinado a medicamentos “adaptados” - que não foram especificamente desenvolvidos para TB, mas demonstraram eficácia no tratamento da doença -, podem melhorar significativamente a saúde de pessoas com TB multirresistente (TB-MDR).

Nos projetos de MSF na Rússia (Chechênia) e na Armênia, 75% e 80% das pessoas, respectivamente, que foram tratadas com bedaquilina não apresentaram sinais de TB com base em taxas de “conversão de cultura” após seis meses. Isso indica que um número significativamente maior de pessoas poderiam completar o tratamento com sucesso e serem curadas do que aquelas que estão sob os tratamentos atuais, que são efetivos para apenas 50% das pessoas com TB-MDR.

De acordo com a Dra. Jennifer Hughes, que trabalha com MSF na África do Sul, o país tem liderado o acesso aos novos medicamentos para a TB-DR, com mais de 1.750 pessoas recebendo a bedaquilina em todo o território nacional desde 2013. “Alguns atores, inclusive MSF, estão oferecendo a delamanida por meio do uso compassivo a diversos pacientes com TB-DR que dispõem de opções de tratamento muito limitadas, embora a delamanida não vá ser disponibilizada amplamente até que seja registrada localmente. Apesar do progresso, é provável que todo paciente de TB-DR seja beneficiado com melhores regimes de tratamento, mas o acesso a novos medicamentos em grande escala não está nem próximo de ser uma realidade. ”

MSF publicou recentemente a quarta edição do relatório “DR-TB Drugs Under the Microscope” (“Medicamentos para TB-DR sob o microscópio”, em tradução livre para o português), que analisa as barreiras e os fatores que afetam o acesso a regimes de tratamento para a TB resistente a medicamentos.

O relatório aponta que os regimes de tratamento atuais preferenciais para a TB-DR têm seu preço estabelecido entre US$1.800,00 e US$4.600,00 por pessoa por curso de tratamento, sem incluir os novos medicamentos para TB nem os medicamentos adaptados que seriam combinados a eles e que poderiam aumentar a eficácia dramaticamente. Isso representa uma importante redução em comparação ao primeiro relatório publicado sobre o mesmo assunto em 2011, quando os mesmos regimes de tratamento custavam entre US$4.400,00 e US$9.000,00 por pessoa. No entanto, a adição dos medicamentos novos e adaptados que poderiam tornar o tratamento muito mais tolerável e aumentar sua taxa de sucesso, poderia, infelizmente, resultar em um novo aumento dos preços.


MSF ressalta a necessidade urgente de ampliar o acesso das pessoas a esses tratamentos mais efetivos, tornando-os acessíveis e disponíveis. “A TB tem cura, mas ainda assim é, atualmente, a doença infecciosa que mais mata no mundo”, afirma a Dra. Grania Brigden, consultora de TB da Campanha de Acesso a Medicamentos de MSF. “Precisamos desesperadamente de um tratamento que seja mais tolerável, que cure mais pessoas e que seja mais acessível e disponível. Do contrário, trata-se apenas de negócios habituais com consequências mortais”.

Fonte: MSF.

Saiba Mais: 

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Indígenas, negros e mulheres são mais afetados por pobreza e desemprego no Brasil, diz CEPAL

Por ONUBR

UNFPA vai participar da elaboração de estratégias e iniciativas da Década Estadual Afrodescendente da Bahia. Foto: Flickr / Andrea Moroni (CC)
População afrodescendente também é mais afetada
por miséria no Brasil, alerta CEPAL.
Foto: Flickr / Andrea Moroni (CC)
Em relatório divulgado pela Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL) alerta que indígenas, negros e mulheres estão mais vulneráveis ao desemprego e à pobreza em países latino-americanos.

No Brasil, índice de miséria entre os afrodescendentes chega à média de 22%, valor duas vezes maior que entre os brancos (10%).

A pesquisa do organismo regional identifica o que chama de “eixos estruturantes” da desigualdade social, como gênero e aspectos étnico-raciais.

Com base em dados de 2014 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a CEPAL calculou que a porcentagem de indígenas brasileiros vivendo em situação de pobreza extrema — 18% — é seis vezes maior do que a proporção verificada no restante da população do país. Entre os negros, a taxa é menor (6%), mas representa o dobro do índice de indigência entre os brancos.

As disparidades atravessam outros níveis de renda. No Brasil, 49% dos indígenas e 33% dos afrodescendentes pertencem à quinta parte mais pobre da população. Vinte e quatro porcento dos indivíduos brancos estão entre os 20% mais ricos da sociedade. O valor é três vezes maior do que a participação dos negros (8%) e dos indígenas (7%) nesse grupo mais abastado.

As desigualdades nacionais acompanham padrões regionais, segundo a CEPAL. Em média, na América Latina 37% dos indígenas e 34% dos negros fazem parte dos 20% mais pobres e taxa de participação desses grupos nas camadas mais ricas equivale a aproximadamente metade dos índices calculados para os brancos.

Renda, emprego e qualificação

Considerando a faixa etária dos 15 aos 29 anos, a pesquisa revela que, no Brasil, homens brancos enfrentam um índice de desemprego de 9,9%, ao passo que entre mulheres negras a taxa atinge 19,4%, mesmo a média de escolaridade variando apenas 0,2 ano entre os dois grupos — de 9,8 entre o público branco masculino e para 9,6 entre mulheres afrodescendentes.

Mesmo quando mulheres brasileiras permanecem mais tempo na educação formal — como é o caso das mulheres brancas, que se qualificam por um período estimado em 10,6 anos —, a desocupação permanece mais alta entre o público feminino jovem, chegando a 14,6%. Os dados utilizados para a análise são de 2014.

Na América Latina, a proporção de mulheres negras e brancas que dependem de transferência de renda é quase a mesma — 27% e 26% respectivamente. Os homens, em ambos os casos, dependem menos dessa via — 14% do público masculino dos dois segmentos.

Avaliando a população empregada do Brasil, Equador, Peru e Uruguai, a CEPAL descobriu que a escolaridade média dos brancos empregados — 9,4 anos — é significativamente mais elevada que a de afrodescendentes — 7,1 anos.

A população indígena também aparece particularmente vulnerável à falta de acesso a educação. Cerca de 20% dos jovens indígenas latino-americanos de 12 a 17 anos não frequentam a escola. A proporção cai para cerca da metade, quando analisada a população branca.

A CEPAL estima que no Brasil, Colômbia, Nicarágua e Panamá, menos de 5% dos jovens indígenas do meio rural, com idade de 20 a 29 anos, possuem 13 ou mais anos de estudo.


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Plano para saúde afrodescendente nas Américas é lançado pela OEA e agência da ONU



Por ONU

A Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) apresentaram um novo plano de ação para as Américas no contexto da Década Internacional de Afrodescendentes, em uma iniciativa que busca fortalecer as políticas públicas para assegurar os direitos e a participação plena e igualitária dessa população na região até 2025.

Negros representam 70% dos cidadãos em extrema pobreza e 68% dos analfabetos no país, segundo dados do IBGE de 2010. Foto: EBC
Negros representam 70% dos cidadãos em extrema pobreza e 
68% dos analfabetos no país, segundo dados do IBGE de 2010. 
Foto: EBC
A iniciativa tem como objetivo melhorar a saúde e o bem-estar dos mais de 150 milhões de afrodescendentes que vivem no Hemisfério Ocidental, e que têm piores condições de saúde na comparação com outros grupos raciais como consequência de desigualdades, pobreza e exclusão social, que estão estreitamente vinculadas ao racismo, à xenofobia e à intolerância.

“Este círculo vicioso tem consequências diretas sobre a saúde e o bem-estar das pessoas afrodescendentes, que enfrentam um acesso e utilização significativamente menor dos serviços de saúde na comparação com o restante da população”, disse a diretora da OPAS, Carissa Etienne.

“Este é o momento de acabar com esse fenômeno. A OPAS está comprometida em acabar com as disparidades na saúde que são enfrentadas pelos afrodescendentes que vivem nas Américas e agora temos uma janela de oportunidade para mobilizar as forças com nossos Estados-membros e parceiros”, afirmou.

A OPAS, como agência especializada em saúde do sistema interamericano, trabalhará no tema dentro do plano, que estabelece a inclusão do enfoque afrodescendente nas políticas de saúde dos países, ou seja, que as necessidades de saúde dessa população sejam consideradas na hora de elaborar políticas e criar programas de saúde dirigidos para ela.

Também serão promovidas campanhas sobre saúde sexual e reprodutiva nas comunidades com maior incidência dessas populações, com o objetivo de ampliar o acesso a métodos de planejamento familiar, anticoncepcionais e reduzir a mortalidade materna, que é maior entre a população indígena e afrodescendente, segundo estudo elaborado por OPAS, Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

O plano também estabelece que os países elaborem e implementem protocolos de atenção a doenças não transmissíveis para a população afrodescendente. Nesse sentido, a OPAS reiterou seu compromisso para prestar o apoio técnico necessário aos ministérios da Saúde dos países.

Durante o ato de apresentação do novo plano, realizado na sede da OPAS em Washington, Betilde Muñoz, diretora do Departamento de Inclusão Social da OEA, afirmou que a iniciativa “é resultado do consenso coletivo dos Estados-membros da OEA e reflete a realidade dos afrodescendentes” na região.

“O caminho para conseguir a inclusão social dos afrodescendentes nas Américas está cheio de desafios, mas também de oportunidades. Por esse motivo, consideramos ser importante unir esforços”, enfatizou.

“De fato, os afrodescendentes padecem de uma situação de racismo e discriminação racial estrutural e sistêmica”, afirmou Murillo Martinez, especialista independente do Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial das Nações Unidas (CERD). “Costumam ser os mais pobres entre os pobres, e costumam ter os mais baixos índices de expectativa de vida”, declarou.

Sobre o plano de ação

O plano de ação é a resposta regional da Década Internacional de Povos Afrodescendentes, que vai de 2015 a 2024, proclamada pelas Nações Unidas para impulsionar o reconhecimento, a justiça e o desenvolvimento das populações afrodescendentes.

Nesse contexto, a OEA e a OPAS buscarão fortalecer sua cooperação nesses três eixos, fomentando o pleno gozo dos direitos econômicos, sociais, culturais, civis e políticos das populações afrodescendentes na América Latina e no Caribe.

A OPAS promove um enfoque intercultural nos serviços de saúde da região que assegure que todos os grupos étnicos e raciais possam acessar os cuidados de que necessitem, e que integre o conhecimento e as práticas tradicionais para melhorar a saúde das populações indígenas, afrodescendentes e étnicas/raciais. Além disso, busca melhorar a informação sobre esses e outros grupos étnicos/raciais para facilitar a adoção de políticas que melhorem sua saúde.

Situação de saúde afrodescendente

A maioria da população afrodescendente das Américas concentra-se no Brasil (68%) e nos Estados Unidos (27%). A proporção da população afrodescendente varia segundo o país: Argentina (0,4%), Brasil (50,9%), Colômbia (10,4%), Costa Rica (8%), Equador (7,2%), Estados Unidos (12,6%), Nicarágua (2,6%), Panamá (8,9%), Uruguai (4,8%) e Venezuela (2,7%), segundo dados de censos nacionais.

Em 2013, a taxa de desemprego da população afrodescendente na região (6,5%) foi superior à dos indígenas (4,2%) e da população não indígena nem afrodescendente (5%). As mulheres afrodescendentes de 15 a 29 anos têm menores oportunidades de trabalhar ou estudar que os homens, segundo dados do censo de nove países.

A mortalidade materna e infantil são maiores na população indígena e afrodescendente. O acesso métodos anticoncepcionais mostra grandes desigualdades entre mulheres indígenas, afrodescendentes e o restante da população.

A falta de informação é o principal obstáculo para realizar uma análise exaustiva e confiável das desigualdades entre povos indígenas, afrodescendentes e outras populações étnico/raciais, segundo a OPAS.

Fonte: ONU BR.

sábado, 30 de julho de 2016

Recaída de milhões de latino-americanos na pobreza é evitável com políticas públicas de nova geração

Para prevenir retrocessos, novo RDH Regional recomenda proteção social, sistemas de cuidado, qualificação profissional e redução de desigualdades de gênero, raça e etnia.

Por PNUD

A principal ameaça ao progresso na região é a recaída de milhões de famílias na pobreza, ainda que a desaceleração econômica não seja a única responsável por tal retrocesso, segundo o Relatório de Desenvolvimento humano (RDH) para América Latina e Caribe do PNUD. O relatório sustenta recomendações para que a região impeça retrocessos e continue avançando nos aspectos social, econômico e ambiental, com políticas públicas de nova geração, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

População vulnerável
FOTO: TIAGO ZENERO. PNUD BRASIL.
No relatório intitulado Progresso Multidimensional: bem-estar além da renda, o PNUD manifesta especial preocupação pelas 25 a 30 milhões de pessoas – mais de um terço da população que saiu da pobreza na região desde 2003 – que estão vulneráveis para recair na pobreza. Muitas são jovens e mulheres com precária inserção no mercado de trabalho no setor de serviços da região. Fazem parte de um grupo maior, de 220 milhões de pessoas (38%, quase dois em cada cinco latino-americanos), que oficialmente nem são pobres, e nem conseguiram entrar para a classe média, correndo risco de recair na pobreza.

O relatório destaca que o os fatores que determinam a saída da pobreza são diferentes dos que previnem que as e os latino-americanos voltem a recair. Na década passada, o mercado de trabalho e a educação foram dois grandes motores para deixar a pobreza. No entanto, é fundamental que as políticas públicas de nova geração fortaleçam os quatro fatores que impedem retrocessos: proteção social, sistemas de cuidado, ativos físicos e financeiros (como carro, casa própria, conta de poupança ou dinheiro em banco que atuam como “para-choques” ou amortecedores durante as crises), e qualificação profissional. Esses elementos-chave compõem o que o RDH denomina cestas de ‘resiliência’, que é a capacidade de absorver choques e prevenir retrocessos, fundamental para a região neste momento de desaceleração econômica.

O RDH faz um chamado para repensar o modelo latino-americano de progresso para um conceito multidimensional, em concordância com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e que possa transcender o uso de renda per capita, o ritmo do crescimento econômico e o Produto Interno Bruto (PIB) como critérios privilegiados para medir o nível de desenvolvimento. Só o crescimento econômico não é suficiente. Nada que diminua os direitos das pessoas e das comunidades ou que ameace a sustentabilidade ambiental pode ser considerado progresso, destaca o relatório.

“Os desafios de um desenvolvimento sustentável, holístico e universal não expiram ao alcançar um determinado limiar de renda: não superaremos os desafios de desenvolvimento a menos que demos respostas apropriadas à múltiplas dimensões que permitem às pessoas terem vidas que considerem valiosas”, disse a Subsecretária-Geral das Nações Unidas e Diretora Regional do PNUD para a América Latina e o Caribe, Jéssica Faieta no lançamento junto ao Presidente Juan Carlos Varela do Panamá. “Neste momento, por um lado temos que proteger os avanços e prevenir que milhões de pessoas voltem a cair na pobreza e por outro lado temos que estimular políticas e estratégias inclusivas e integrais adaptadas a populações que sofrem de discriminações e exclusões históricas”.

Mais do mesmo não rende o mesmo – Ainda que, na região, tenham saído da pobreza cerca de 72 milhões de pessoas e tenham entrado na classe média 94 milhões de pessoas entre 2003 e 2013, os últimos três anos viram uma desaceleração e depois uma reversão dessa tendência. Segundo o RDH, a média anual de latino-americanos que saíram da pobreza foi de quase 8 milhões entre 2003-2008 e de 5 milhões entre 2009-2014. Entre 2015 e 2016, aumentou o número absoluto de pessoas pobres, pela primeira vez na década.

Isso acontece pelos limites da expansão laboral e fiscal na região. O mercado de trabalho na América Latina, na maior parte é informal, segundo o RDH. Mais da metade dos 300 milhões de trabalhadores na região são: assalariados em microempresas com menos de cinco vagas de trabalho, autônomos sem qualificação ou aqueles que não recebem renda (programas de aprendizagem, por exemplo). De igual forma, das mais de 50 milhões de empresas pequenas e médias, 70% são informais, e dois a cada três novos empregos criados na região foram no setor de serviços, que tem baixa produtividade e altas taxas de informalidade. Sem aumentos futuros da produtividade dos setores de baixa qualificação profissional, a sustentabilidade do crescimento e, em consequência, das conquistas sociais, acabam sendo comprometidos, aponta o RDH.

Além disso, a expansão de transferências sociais e pensões não contributivas, que explicam cerca de 30% da redução da desigualdade de renda desde 2002, também encontra um teto fiscal. Igualmente, o relatório destaca que o peso da carga tributária nos pobres é tão alto na região que costuma anular o benefício recebido por programas de transferência de renda. Dessa forma, o RDH ressalta que melhorar a efetividade e progressividade do sistema fiscal no seu conjunto é um desafio urgente para a região.

Investir nas mulheres e em políticas de cuidado é fundamental para que a região possa avançar, diz o relatório. Ainda que a proporção de mulheres com nível universitário na região tenha sido mais alta (17,3%) que a correspondente proporção de homens (14,8%), em 2013, a média salarial por hora das mulheres era 16,4% menor que a dos homens. Além disso, as mulheres dedicam três vezes mais tempo em trabalhos de cuidado e deveres domésticos que os homens. As tendências demográficas e a ausência de mecanismos de cuidado (especialmente para crianças e adultos mais velhos), combinadas com o aumento da participação laboral feminina, restringem uma melhor inserção da mulher no mercado de trabalho e a geração de renda nos lares, destacou o relatório.  

“Ser mulher, afrodescendente, indígena, LGBTI, jovem, pessoa com deficiência, tudo isso afeta as oportunidades, a possibilidade de ascensão social e econômica e o acesso a serviços públicos na região”, disse o principal autor do relatório e economista chefe do PNUD para a América Latina e o Caribe, George Gray Molina. “Cada geração latino-americana decide o tipo de mudança estrutural que vai seguir: restam ainda hoje transações de cidadania e de resiliência que não vão ser resolvidas com mais crescimento econômico”.

Fonte: PNUD.

terça-feira, 28 de junho de 2016

IBGE lança Atlas Digital com Caderno Temático especial sobre indígenas

Por Nielmar de Oliveira – Repórter da Agência Brasil

O Censo de 2010 constatou que, de uma população de 899,9 mil indígenas existentes em todo o país, 517,4 mil (57,8%) viviam em Terras Indígenas oficialmente reconhecidas na época da realização da pesquisa, outros 298,871 mil (33,3%) viviam em áreas urbanas, principalmente nos grandes centros; e outros 80,663 mil (8,9%) habitavam áreas rurais, aí incluídas terras indígenas não reconhecidas pela Fundação Nacional do Índio (Funai).
Fonte: Atlas Nacional Digital do Brasil 2016

Os dados fazem parte do primeiro Caderno Temático sobre a população indígena e constam do Atlas Digital do Brasil 2016, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) está lançando hoje (27), com mapas interativos com o aprimoramento do Censo Demográfico 2010, sobre a distribuição da população indígena no território nacional.

De acordo com os dados, a maioria destes 57,7% se concentra nas regiões Norte e Centro-Oeste. Na Região Norte, este percentual chega a 73,5% e no Centro-Oeste 73,5% dos indígenas estão em território demarcado. Roraima é o estado brasileiro que detém o maior percentual de indígenas em terras demarcadas (83,2%) e o Rio de Janeiro, o menor, com apenas 2,8% do total.

Taxa de Fecundidade

Segundo a demógrafa de mapeamento populacional Indígena do IBGE Nilza de Oliveira Martins, existe uma variação na taxa de fecundidade entre as populações indígenas que moram na cidade, em áreas rurais e em reservas oficialmente reconhecidas pela Funai, sendo maior entre este último grupo.

Para o levantamento, o IBGE considerou a proporção de crianças até quatro anos, em relação a mulheres entre 15 e 49 anos. Em terras indígenas, essa proporção era de 74 crianças para cada grupo de 100 mulheres, o que resulta em taxa de fecundidade de aproximadamente 5 filhos para cada mulher.

Nas áreas rurais, a proporção cai um pouco: são 54 crianças para cada grupo de 100 mulheres (4,2 filhos por mulher). Já nos centros urbanos a média cai para menos da metade: 20 crianças para cada 100 mulheres (1,6 filho por mulher).

“Isto comprova que há um envelhecimento significativo da população indígena que vive em áreas urbanas do país, principalmente nos grandes centros. Esta taxa de fecundidade entre os indígenas que vivem nas áreas urbanas é ainda maior do que a taxa de fecundidade para o total da população brasileira de uma maneira geral, que é de 1,9 filhos por cada mulher”, disse.

Reconhecimento

De acordo com o Atlas Nacional Digital, 75% das pessoas que se declararam indígenas no país souberam informar o nome de sua etnia ou o povo ao qual pertencem. As etnias mais representativas, segundo as unidades da federação, revelaram características determinantes de possíveis padrões de distribuição espacial de algumas delas. Os Xavantes, por exemplo, estão entre os mais numerosos em todos os estados da região Centro-Oeste, e os Guarani Kaiowá, com penetração em toda região Sul e parte das regiões Sudeste e Centro-Oeste.

A publicação, cujo lançamento inaugura a política do IBGE de divulgação anual do Atlas Nacional Digital do Brasil, analisa as características sociodemográficas dentro e fora das Terras Indígenas, de forma a dar maior visibilidade a esse segmento da população e mapear estas informações.

O Caderno Temático identificou 274 línguas indígenas no Brasil. Em áreas demarcadas, 57,3% de indígenas com mais de cinco anos falam ao menos uma dessas línguas, enquanto em áreas urbanas, o percentual cai para 9,7%. Em áreas rurais, este percentual chega a 24,6%.

Em uma análise regional, as línguas indígenas são faladas em maior porcentagem nas regiões Norte, Sul e Centro-Oeste. Esta última região concentra o percentual mais elevado do país, com 72,4% dos indígenas que vivem em Terras Indígenas demarcadas falando alguma dessas línguas.

Atlas

O Atlas Nacional Digital do Brasil 2016 incorpora, em ambiente interativo, as informações contidas no Atlas Nacional do Brasil Milton Santos, publicado em 2010, acrescidas de 170 mapas com informações demográficas, econômicas e sociais atualizadas e o Caderno Temático sobre a população indígena no Brasil.

Segundo o IBGE, o Atlas “revela as profundas transformações ocorridas na geografia brasileira, acompanhando as mudanças observadas no processo de ocupação do território nacional na contemporaneidade”.

O Atlas se estrutura em torno de quatro grandes temas: o Brasil no mundo; Território e meio ambiente; Sociedade e economia; e Redes geográficas. Além do texto escrito, o Atlas utiliza mapas, tabelas e gráficos, “o que permite um amplo cruzamento de dados estatísticos e feições geográficas que tornam flexível e abrangente a seleção de informações, permitindo o entendimento aproximado da diversidade demográfica, social, econômica, ambiental e cultural do imenso território brasileiro”.

Aplicativo

O IBGE lançou também um aplicativo que para navegação em ambiente interativo que permite aos usuários - que queiram ter acesso somente ao conjunto de mapas ou aos que possuem conhecimento mais avançado quanto à busca de informações geográficas on line - ter acesso a todas as páginas da publicação, podendo fazer download e consultar dados geográficos, estatísticos e metadados.

“A aplicação possibilita também analisar os 780 mapas do Atlas em um ambiente interativo, que permite a navegação pelo mapa, alterar a escala de visualização, ver e exportar tabelas e arquivos gráficos, personalizar o mapa superpondo temas de várias fontes, gerar imagens, salvar o ambiente de estudo para posterior análise e abrir um ambiente personalizado de estudo”.

Fonte: Empresa Brasil de Comunicação