quinta-feira, 5 de junho de 2014

Redução da pobreza e da indigência desacelera na América Latina, mostra CEPAL

Favela do Mandela, Rio de Janeiro.
Foto: Vladimir Platonow/ABr
O número de latino-americanos em situação de pobreza em 2013 atingiu 164 milhões de pessoas (27,9% da população), das quais 68 milhões encontram-se na extrema pobreza ou indigência (11,5% dos habitantes da região), segundo projeções apresentadas pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). 

Ainda que tenha sido registrada uma queda nas taxas de pobreza e de indigência na região em 2012 (de 1,4 e 0,3 pontos percentuais, respectivamente, em relação a 2011), moderou-se o ritmo com que estas vinham se reduzindo há uma década, indica o relatório Panorama Social da América Latina 2013, apresentado em Santiago do Chile.

Seis dos 11 países com informação disponível em 2012 registraram redução em seus níveis de pobreza em relação a 2011. No Brasil, a taxa caiu de 20,9% para 18,6%; na Venezuela, passou de 29,5 % para 23,9%; enquanto no Equador de 35,3% para 32,2%; no Peru, de 27,8% para 25,8%; na Argentina, de 5,7% para 4,3% e na Colômbia, de 34,2% para 32,9% dos habitantes. Na Costa Rica, em El Salvador, no Uruguai e na República Dominicana, os valores mantiveram-se constantes em comparação a 2011, enquanto no México a pobreza aumentou levemente, de 36,3% para 37,1%.

Esses resultados estão estreitamente relacionados com o desempenho macroeconômico da região, afirma o documento. O aumento da indigência, especificamente, tem sido causado pelo incremento do custo dos alimentos acima da inflação geral.

“Desde 2002 a pobreza na América Latina caiu 15,7% e a indigência 8%, embora as estatísticas recentes mostrem uma desaceleração. O único número aceitável de pessoas vivendo na pobreza é zero. Por isso, propomos aos países realizar uma mudança estrutural em suas economias, para crescer de forma sustentada com maior igualdade”, afirmou a secretária executiva da CEPAL, Alicia Bárcena.


quinta-feira, 1 de maio de 2014

Populações indígenas têm piores indicadores sociais da Amazônia

Segundo relatório, as populações indígenas
têm piores indicadores sociais na Amazônia.

Foto: Internet.
Se os indicadores sociais da Amazônia estão aquém da média nacional dos países que compartilham a floresta, as populações indígenas são ainda mais vulneráveis. O relatório "A Amazônia e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio" avaliou indicadores de nove países - Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa - e identificou resultados piores para os indígenas.

O levantamento mostra que nos nove países há 1,6 milhão de indígenas, de 375 povos. Nem todos vivem em territórios reconhecidos, o que, segundo os pesquisadores, tem impacto direto na subsistência e na qualidade de vida das comunidades. "A erradicação da pobreza e da fome está intimamente associada à garantia do usufruto de seus territórios tradicionais. A consolidação territorial é que permite que as populações indígenas possam produzir seus alimentos por meio da pesca, caça, agricultura etc", conclui o trabalho.

Os piores resultados estão relacionados à saúde. A ausência de serviços básicos e as distâncias geográficas na região acabam excluindo as populações indígenas do atendimento de saúde. A alta incidência de malária, tuberculose e doenças sexualmente transmissíveis entre essas populações confirma a desigualdade. A taxa de incidência de tuberculose entre os indígenas do Brasil, por exemplo, é 101 para cada 100 mil pessoas. A média nacional é 37,9 casos para cada 100 mil. Na Venezuela, há grupos que registram 450 casos de tuberculose para cada 100 mil pessoas.

"A entrada do HIV (o vírus da aids) em comunidades indígenas representa risco imensurável para essas populações, já que em muitas delas a poligamia é parte da cultura e o acesso a informação e métodos de prevenção é escasso", acrescenta o texto.

A mortalidade infantil também é um indicador crítico entre os indígenas. No Brasil, segundo o levantamento, a mortalidade de crianças indígenas em 2007 foi de 50 para cada 1 mil nascidos vivos, duas vezes maior que a média nacional. Na Venezuela, as taxas de mortalidade infantil entre os indígenas chega a ser dez vezes maior que a média nacional. Entre as principais causas de morte de crianças indígenas estão a desnutrição, a pneumonia e a desidratação, segundo a pesquisa.

O estudo também destaca o baixo número de escolas indígenas, apesar da existência de leis nacionais que garantem educação escolar indígena diferenciada e adequada à realidade das comunidades.

Em relação aos indicadores ambientais, que estão incluídos entre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, o relatório também aponta ameaças às comunidades indígenas. Apesar de estarem entre as áreas mais preservadas da Amazônia em todos os países analisados, as terras indígenas estão sob pressão por causa da exploração dos recursos naturais, principalmente do desmatamento e da mineração. No Brasil, segundo dados do Instituto Socioambiental (ISA) citados no estudo, pelo menos 99 terras indígenas estão sob ameaça permanente.

Fonte: Terra.

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sexta-feira, 14 de março de 2014

América Latina: 23,5 milhões de mulheres indígenas são afetadas por desigualdades étnicas e de gênero

Novo estudo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) afirma que existem mais de 670 povos indígenas reconhecidos pelos nove Estados analisados e que ao menos 23,5 milhões de mulheres são afetadas pelas desigualdades étnicas e de gênero.

América Latina: 23,5 milhões de mulheres indígenas são
afetadas por desigualdades étnicas e de gênero.
Foto: ONU.
O documento “Mulheres indígenas na América Latina: dinâmicas demográficas e sociais no âmbito dos direitos humanos” foi apresentado durante a XII Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe, realizada em outubro de 2013 em Santo Domingo, República Dominicana.

O relatório avalia a situação das mulheres indígenas no Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Nicarágua, Panamá, Peru e Uruguai. O estudo indica que as mulheres indígenas têm capacidades e potencialidades para agir como agentes de mudança e geradoras de bem-estar e de desenvolvimento sustentável de seus povos, mas sofrem discriminações de caráter econômico, étnico, de classe e de gênero, que se manifestam em múltiplas vulnerabilidades.

A CEPAL pede que os países da região coloquem em prática políticas que busquem eliminar os fatores que determinam a situação da desigualdade na qual vivem as mulheres desse grupo, baseadas nos padrões dos direitos humanos e nos princípios acordados nas recentes conferências multilaterais sobre os povos indígenas. Para a Comissão, a garantia do exercício dos direitos individuais e coletivos das mulheres indígenas é indispensável para alcançar a igualdade que a região busca.

Embora tenha havido progressos no âmbito da educação – mais de 90% dos meninos e meninas indígenas de 6 a 11 anos vão à escola na maioria dos países da região – os avanços são insuficientes, afirma o relatório. Menos de 15% das jovens indígenas de 20 a 29 anos conseguiram terminar o nível escolar secundário em sete dos nove países analisados – o Brasil faz parte desses sete.

A perda do idioma original como resultado do processo de escolarização também é um aspecto central da problemática. O documento indica que a maternidade na adolescência (de 15 a 19 anos) continua sendo maior entre as jovens indígenas de todos os países analisados, com um patamar que vai de quase 12% no Uruguai a 31% no Panamá. O índice no Brasil é de 27%.


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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Os povos indígenas são um terço dos mais pobres do mundo e sofrem com condições alarmantes em todos os países

Comunicado de imprensa

A primeira publicação da ONU sobre a situação dos povos indígenas do mundo revela estatísticas alarmantes sobre pobreza, saúde, trabalho, direitos humanos, meio ambiente, entre muitas outras.
Os povos indígenas são um terço dos mais pobres do mundo e 
sofrem com condições alarmantes em todos os países.
Foto: Internet.

Os povos indígenas ao redor do mundo continuam sofrendo com taxas desproporcionais de pobreza, problemas de saúde, crime e abusos dos direitos humanos.
• Nos Estados Unidos, um indígena americano é 600 vezes mais suscetível a contrair tuberculose e 62% mais suscetível a cometer suicídio que a população em geral.
• Na Austrália, uma criança indígena tem expectativa de vida 20 anos menor que um australiano não-indígena. Essa diferença da expectativa de vida também é 20 anos menor no Nepal, enquanto na Guatemala é de 13 anos e na Nova Zelândia, de 11 anos.
• Em áreas do Equador, povos indígenas possuem um risco 30 vezes maior de ter câncer de garganta que a média nacional.
• Mundialmente, mais de 50% dos adultos indígenas sofrem de diabete tipo 2, um número que tende a crescer.
Estas são apenas algumas estatísticas que se encontram na primeira publicação da ONU sobre as condições dos povos indígenas do mundo, que faz avaliação completa da situação das comunidades indígenas em áreas como saúde, pobreza, educação e direitos humanos.
A população indígena é de aproximadamente 370 milhões de pessoas - em torno de 5% do total mundial – e constitui mais de um terço das 900 milhões de pessoas que vivem em extrema pobreza em áreas rurais do mundo. Diariamente, comunidades indígenas sofrem com a violência e a brutalidade, políticas de assimilação, desapropriação de terras, marginalização, remoção forçada ou realocação, negação dos seus direitos a terra, impactos causados pelo desenvolvimento em larga-escala, abusos de forças militares e uma série de outras injustiças.

Condição alarmante da saúde dos povos indígenas
As estatísticas publicadas ilustram a gravidade da situação tanto em países desenvolvidos como em países em desenvolvimento. Nutrição precária, acesso limitado a cuidados médicos, falta de recursos cruciais para o bem-estar e a contaminação dos recursos naturais são fatores que contribuem para o precário estado da saúde da população indígena do mundo.

De acordo com o relatório:
• A expectativa de vida da população indígena é 20 anos menor que a média.
• A comunidade indígena possui níveis desproporcionais de mortalidade infantil e materna, desnutrição, doenças cardiovasculares, HIV/aids e outras doenças infecciosas como malária e tuberculose.
• As taxas de suicídio na comunidade indígena, principalmente entre os jovens, são consideradas muito altas em diversos países. No Canadá, por exemplo, os Inuit sofrem com uma taxa 11 vezes maior que a média nacional.

Realocação e desapropriação destroem comunidades indígenas
Uma das maiores ameaças enfrentadas pela população indígena identificada na publicação é a realocação das comunidades indígenas de suas terras, territórios e recursos. A publicação detalha alguns exemplos de realocação, separação e expulsão na Malásia, Indonésia, Havaí, Ruanda, Burundi, Uganda, República Democrática do Congo e Colômbia.
“Quando a população indígena reagiu e exigiu seus direitos sofreu abusos físicos, detenções, torturas e até mortes”, diz a publicação.

A Situação dos Povos Indígenas do Mundo foi escrito por sete peritos independentes e produzido pelo Secretariado do Fórum Permanente sobre Questões Indígenas das Nações Unidas. Para obter mais informações, consulte: < www.un.org/indigenous >. Produzido pelo Departamento de Informação Pública das Nações Unidas  — DPI/2551/L — 09-64058 — Janeiro 2010. (Versão portuguesa produzida pelo Centro de Informação das Nações Unidas no Rio de Janeiro).


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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Mais de 80% dos indígenas da América Latina vivem na pobreza, diz estudo

Bruno Garcez
De Washington                

"Onde quer que vivam, indígenas tendem 
a ser pobres", diz relatório. 
Foto: Internet.               
Um estudo divulgado pelo Banco Mundial afirma que, apesar dos esforços para reduzir a pobreza na América Latina, mais de 80% dos indígenas latino-americanos vivem na pobreza extrema, uma tendência que pouco mudou desde a década de 1990, quando foram registrados diversos progressos econômicos.

O estudo analisa a situação vivida em cinco países latino-americanos: Bolívia, Peru, México, Guatemala e Equador. O relatório afirma que ''onde quer que vivam, os indígenas tendem a ser os mais pobres entre os pobres''.
O documento discute por que, mesmo hoje em dia tendo mais acesso a uma melhor educação e a treinamento profissional, os cerca de 28 milhões de indígenas latino-americanos não conseguem aprimorar seus padrões de vida ou equipará-los aos das populações não-indígenas de seus países.
De acordo com Emmanuel Skoufias, economista-sênior no Banco Mundial e um dos autores do relatório, o estudo mostra que ''devido à sua exclusão histórica, os povos indígenas continuam a ter acesso limitado a terras produtivas, serviços básicos e a mercados financeiros''.

Relações desiguais
No meio rural, os indígenas costumam ser afetados pela escassez de recursos como água corrente e eletricidade, mas também pelo acesso a estradas, que é vital para que eles possam transportar seus produtos para o mercado.
Mas o documento afirma que as relações desiguais entre indígenas e não-indígenas se dão tanto nos grandes centros urbanos como no meio rural.
O estudo afirma que, no meio rural, os indígenas são mais dependentes da agricultura como meio de subsistência e têm poucas oportunidades de obter empregos que não sejam os destinados à mão de obra não qualificada.
Em relação aos meios urbanos, ''os trabalhadores indígenas estão mais propensos a trabalhar no setor informal, que padece da falta de segurança, acesso a benefícios sociais, seguro saúde e seguro desemprego''.
Segundo o relatório, na Guatemala, menos de 50% da população indígena que vive nas áreas urbanas do país é assalariada, contra 65% dos não-indígenas. No Equador, apenas 28% de todos os indígenas do país têm empregos formais, contra 50% do restante da população do país.

Diferenças culturais
O documento também lista motivos culturais como fatores que contribuem para a situação. ''Os indígenas tradicionais do continente americano se vêem antes de tudo como membros de suas comunidades. Essa característica pode ter um efeito negativo sobre se sentirem parte integrante da força de trabalho e sobre salários.''
O relatório cita o caso dos aimará, grupo indígena formado por mais de 2 milhões de pessoas na região andina, em países como a Bolívia e o Peru. Segundo o texto, ''os aimará valorizam muito a educação, que se afina com seus ideais de individualismo, trabalho duro e desenvolvimento pessoal e comunal''.
Mas o documento acrescenta que, apesar de louvarem as benesses oferecidas pela educação moderna, a cultura aimará não assimila bem outras características da cultura moderna, enfatizando que ''a competição aberta está ausente da cultura aimará''.
Mas o estudo conclui que valores tradicionais também estão entre as forças das comunidades indígenas. ''Antes de estas comunidades haverem travado contato com os europeus, entre as suas características estava o empreendimento, que foi esmagada por imigrantes europeus''.
O documento acrescenta, que quando esta tendência foi recuperada, ''ela estava mais voltada para a comunidade do que para o indivíduo''.
O estudo diz que, apesar de constituírem menos de 5% da população mundial (370 milhões de pessoas), as populações indígenas em todo o mundo constituem 15% dos pobres mundiais.